A Imigração

 

Elda Farias,

Nisrine Berri,

Magalô Boscato e

Selma Araújo Teixeira

 

Revisão de

Vanessa Edna,  Elisabethe, Maria Célia e Fernanda

 

Imigração

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São Paulo foi, de longe, o que mais atraiu imigrantes. Dos 4,5 milhões que chegaram ao Brasil, cerca de 3 milhões desembarcaram em Santos e subiram a serra rumo ao interior do estado, na esperança de, ao colher os grãos, colher para si um pouco da riqueza do café. Esperança que nem sempre se realizou. Por diferentes caminhos, boa parte de toda essa gente acabou ficando ou vindo para a capital.

Os imigrantes desembarcavam em Santos e, eram encaminhados de trem até o Brás, onde ficavam na Hospedaria dos Imigrantes – hoje transformada no Memorial do Imigrante – e de onde partiam para as lavouras de café no interior do estado. Muitos deles, entretanto, preferiam ficar na capital daí o surgimento de bairros nos quais a presença de estrangeiros era marcante, como Bom Retiro, Brás, Bexiga e Barra Funda.

Os fazendeiros preferiam contratar famílias devido à organização de produção, trabalhava na lavoura, em jornadas de 10 a 14 horas.

Os primeiros imigrantes trabalharam lado a lado com os escravos, sofrendo pressões e maus tratos semelhantes. Alguns fazendeiros tentaram até instalar os recém-chegados nas moradias ocupadas pelos escravos. Com a insistência dos colonos por mudanças em algumas senzalas, elas foram remodeladas ou foram construídas moradias mais afastadas da sede da propriedade rural e com melhor qualidade que a dos cativos. As casas dos imigrantes eram quase sempre muito rústicas, construídas de taipa ou e pau-a-pique, sem banheiro e com chão de terra.

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As mulheres cuidavam dos animais, da horta, da colheita e se responsabilizavam pela casa e pelos filhos, e as crianças ajudavam no beneficial do café.

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A riqueza proporcionada pelo cultivo do café nas terras paulistas alterou muitos costumes e práticas culturais. Da agricultura aos objetos domésticos, modos de vestir, de falar, pode-se dizer que o século XIX foi o primeiro período de verdadeira revolução, no qual traços comportamentais vindos do passado indígena, do açúcar foram rapidamente justapostos ou movidos à intensa europeização permitida pelas imensas fortunas exportadoras, pela rapidez dos trens e especialmente pela entrada maciça de dezenas de etnias de imigrantes.

A luta pela sobrevivência no novo local de moradia era árdua, qualquer que fosse a cidade escolhida: Santos, Rio de Janeiro, ou São Paulo.
Os recém-chegados disputavam desde as ofertas de emprego menos qualificado, até os espaços de moradia disponíveis junto aos segmentos mais pobres da população local, sobretudo mestiços e negros que também tomaram o rumo das cidades, após a Abolição da Escravatura.
Ao lado dos portugueses, especialmente no Rio de Janeiro, encontravam trabalho em atividades não-qualificadas, tais como, de estivadores, ensacamento de café, em bares, tavernas, botequins, pensões ou no comércio ambulante. Na maioria das vezes, mal remunerados, submetidos a jornadas de trabalho de até 16 horas, eram vistos como uma “gente trabalhadeira e ambiciosa”.
Alguns, entretanto, quando se deparavam com a dura realidade do “paraíso brasileiro”, acabavam descambando para o caminho da marginalidade. Integravam-se à escória dos malandros, gatunos, rufiões, jogadores e prostitutas que gravitavam em torno do cais do porto.
(Brasil: 500 anos de povoamento /IBGE, V capítulo “Sonhos galegos: 500 anos de espanhóis no Brasil” de Lucia Maria Paschoal Guimarães e Ronaldo Vainfas)

Problematizando:

  1. Observando as situações em que esses imigrantes foram fotografados e lendo o texto acima, analise-os com seus colegas e façam uma relação entre eles.

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Na segunda metade do século 19 aconteceu um fenômeno que ficou marcado como a maior migração de povos de toda a história. Estima-se que entre 1846 e 1875, cerca de 9 milhões de pessoas deixaram a Europa – principalmente a Itália – e cruzaram o Atlântico, rumo aos Estados Unidos, na esperança de “fazer a América”.

A Itália, na segunda metade do século 19, possuía milhares de trabalhadores dispostos a abandonar sua terra natal e se aventurar em países distantes como Brasil, Argentina e Estados Unidos. Devido à forte influencia do capitalismo, as altas taxas e impostos sobre a posse da terra obrigaram muitos pequenos proprietários a empréstimos e endividamentos. Além disso, o pequeno produtor não conseguia competir com os grandes proprietários, que enchiam os mercados com produtos mais baratos.

Sem condições de ocupação, esses trabalhadores se transformaram em mão-de-obra barata na nascente indústria italiana. Outros tantos preferiram cruzar o Atlântico, em busca de sorte melhor. Nesse sentido, a forte propaganda do governo brasileiro encontrou um público bastante vulnerável, carente de possibilidades de uma sobrevivência digna em sua terra natal.

Problematizando:

1 – Descreva como o artista representou, na sua pintura, o momento que antecedia ao embarque dos imigrantes.

2 – O que os imigrantes pretendiam fazer a America?

2 – Qual e a diferença entre emigrante e imigrante?

4 – Você sabe o que quer dizer capitalismo?

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“Na América – Terras no Brasil para os italianos. Navios em partida todas as semanas do Porto de Gênova. Venham construir os seus sonhos com a família. Um país de oportunidade. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter o seu castelo. O governo dá terras e utensílios a todos”.
Cartaz da propaganda, prometendo terra e abundância no Brasil, entre 1880 à 1930. Acervo Memorial do Imigrante.

Problematizando:

  1. Descreva o que observa na imagem

  2. Quais as informações trazidas nos cartazes que faziam os imigrantes se interessarem em vir para o Brasil?

  3. Considerando ser outra época, até onde as informações referidas nos cartazes e ilustrações sobre o Brasil, podem ser consideradas verdadeiras?



clip_image013Acervo Memorial do Imigrante.
Informação: Imigração subsidiada pelo Governo do Estado de São Paulo.
O subsidio constitui no fornecimento de passagem marítima para o grupo familiar e transporte para o lugar de destino.

Problematizando:

  1. Pesquise quais os motivos que levaram os espanhóis e outros imigrantes a virem para o Brasil naquela época?

  2. Qual era o interesse do governo brasileiro na imigração?

  3. Quais as expectativas dos imigrantes em relação ao Brasil?

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Passaporte Português, 1927.
Acervo Memorial do Imigrante

Podemos considerar o início da imigração no Brasil a data de 1530, pois a partir deste momento os portugueses vieram para o nosso país para dar início ao plantio de cana-de-açúcar. Porém, a imigração intensificou-se a partir de 1818, com a chegada dos primeiros imigrantes não-portugueses, que vieram para cá durante a regência de D. João VI. Devido ao enorme tamanho do território brasileiro e ao desenvolvimento das plantações de café, a imigração teve uma grande importância para o desenvolvimento do país no século XIX.

Problematizando:

  1. Analisar os documentos de passaportes individuais de imigrantes.

  2. Compare quais as suas diferenças e semelhanças, mudanças e permanências.

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Passaporte familiar italiano (1923)
Acervo Memorial do Imigrante.

Na foto do passaporte de uma família italiana é interessante notar que se trata de um único passaporte para toda a família. Muitas famílias de imigrantes eram numerosas, como a da foto, mas também havia casais com um ou dois filhos e homens casados sem a família.

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Passaporte da família Takada, 1927.
Acervo Memorial do Imigrante.

A família Takeda chegou a Hospedaria dos Imigrantes em 12/12/1927. Da esquerda para a direita, Shozuburo Takeda e Masae Takeda com os filhos.

No ano de 1908, começou a imigração japonesa com a chegada ao Brasil do navio Kasato Maru, trazendo do Japão 165 famílias de imigrantes japoneses. Estes também buscavam os empregos nas fazendas de café do oeste paulista.

Problematizando:

  1. Ao relacionarmos os passaportes familiares, quais as semelhanças podemos encontrar entre estes documentos?

  2. O que podemos perceber em relação a imigração japonesa no passado e no presente?

  3. Pesquise e registre sobre as atividades de trabalho desempenhada pelos japoneses no inicio da imigração, e a atualmente.

F6

Passaporte Libanês, 1998
Arquivo pessoal de Nisrine Berri.

Os Libaneses e Sírios começaram a imigrar para o Brasil em fins do século XIX, fugindo das dificuldades econômicas em suas regiões de origem.

Problematizando:

  1. Quais os meios de viagem os imigrantes usam atualmente para chegar ao Brasil? E a partir de que época passou-se a usar tais meios?

  2. Cite as principais regiões onde os imigrantes Libaneses e Sírios se concentram.

  3. Ao compararmos atividades de trabalho desempenhadas pelos imigrantes que chegaram na década de 30, com os imigrantes que chegam atualmente, o que podemos perceber em relação a economia do paísF7

Documento de passaporte Espanhol, 1921.
Acervo Memorial do Imigrante.

Os espanhóis começaram a imigrar para o Brasil em razão dos problemas no país de origem e das possibilidades de trabalho.

Eles constituíram a terceira maior etnia que imigrou para o Brasil, após os portugueses e italianos, entre a data de 1880e 1972.


F8

Documento bilhete Italiano de segunda classe, 1925.
Acervo Memorial do Imigrante.

A passagem acima era necessária para o embarque.

Problematizando:

  1. Reúna e analise os bilhetes de segunda e terceira classe e descubra as semelhanças e diferenças entre eles.

  2. Pesquise sobre como era as condições de viagem feitas nasegunda e terceira classe naquela época. E como é nos dias atuais.



F9

Bilhete italiano de terceira classe, 1925.
Acervo Memorial do Imigrante.

Passagem necessária para o embarque, bilhete de terceira classe. O passageiro saiu da Itália com destino à Santos – SP, Brasil.

F18 Depoimento de Mitsuko Kawai

“A primeira viagem longa de navio do Japão para o Brasil levou 62 dias no mar, sem ver a terra… Para vir trabalhar na roça era preciso formar uma família, e para isso muitas pessoas arranjavam casamentos sem considerar o gosto da moça. Tinha uma moça que não conseguiu gostar do seu noivo, acabou se suicidando. Isso foi uma grande tragédia na viagem. A outra foi o sarampo que assolou os passageiros. Mil e duzentas pessoas num navio … Quando dá sarampo não há criança que escape”.

“A vida no casamento começou com enxada e a lata d’água que a gente tirava do poço. A gente partia lenha… e aconteciam muitos acidentes, até machucando crianças. Eu tinha de puxar enxada junto com o marido o dia inteiro, e à tarde voltava para a casa um pouquinho mais cedo para fazer comida, dar banho nas crianças. Uma dureza que só imigrante sabe”.

“Quando a minha filha cresceu, eu não podia ajudá-la a fazer a lição. Foi aí que eu senti necessidade de aprender português. Naquela época, a cartilha trazia “pato pá”, “macaco má”, e foi desse jeito que eu fazia: colocava meus cinco filhos na cama e estudava com a cartilha de minha filha”.

“A primeira comida que nós gostamos foi mamão verde. Muitas pessoas que foram criadas na cidade não sabem comer mamão verde, mas era uma fonte de alimentação preciosa. Mamão verde com carne, salada de mamão verde, mamão verde frito, doce de mamão verde, tudo mamão e mandioca. E quando não tinha mais nada de verdura, comíamos picão do mato”.

“Quem fica no Brasil não vai embora. Pode voltar para o seu país de origem, mas só para passeio. Depois acaba voltando para o Brasil, porque aqui todo mundo se sente bem”. “Eu vivi no Brasil já sessenta anos, vivi no Japão treze anos, de modo que, obviamente, eu tenho mais características de brasileira do que de japonesa. O Brasil é um país onde eu me sinto bem”.

TvCultura. S.ref. http://www.tvcultura.com.br/estudosbrasileiros/entredoismundos/entredoismundos7.htm. Acessado em 05/06/2009

Problematização:

  1. Após ler o depoimento de Mitsuko, selecione 2 fatos relatados por ela sobre suas condições de vida quando veio morar no Brasil e compare com sua vida hoje. Verifique se existem semelhanças ou diferenças e anote-as.

  2. Agora que você já conheceu os três depoimentos, de Mathilde, de Vittorina e de Mitsuko, você consegue perceber algumas semelhanças entre estas imigrantes alemã, italiana e japonesa? Quais? Justifique sua resposta.

F19

O olhar do fotógrafo captou diversos momentos da vida de vários imigrantes trabalhando na lavoura.

Problematizando:

  1. É possível afirmar que os imigrantes só cultivavam lavouras de café?

  2. Que outros tipos de plantações podemos observar?

  3. Era comum a presença da criança no campo de trabalho?

  4. Hoje em dia ainda é comum crianças trabalharem? Discuta com seus colegas sobre o trabalho infantil.

  5. Escolha uma cena e escreva uma história como se você fosse uma dessas crianças, destacando as condições de trabalho, seus sentimentos, suas aspirações etc.

F20

Observando as situações em que esses imigrantes foram fotografados e lendo o trecho abaixo, analise-os com seus colegas e façam uma relação entre eles.

A luta pela sobrevivência no novo local de moradia era árdua, qualquer que fosse a cidade escolhida: Santos, Rio de Janeiro, ou São Paulo.
Os recém-chegados, disputavam desde as ofertas de emprego menos qualificado, até os espaços de moradia disponíveis junto aos segmentos mais pobres da população local, sobretudo mestiços e negros que também tomaram o rumo das cidades, após a Abolição da Escravatura.
Ao lado dos portugueses, especialmente no Rio de Janeiro, encontravam trabalho em atividades não-qualificadas, tais como, de estivadores, ensacamento de café, em bares, tavernas, botequins, pensões ou no comércio ambulante. Na maioria das vezes, mal remunerados, submetidos a jornadas de trabalho de até 16 horas, eram vistos como uma “gente trabalhadeira e ambiciosa”.
Alguns, entretanto, quando se deparavam com a dura realidade do “paraíso brasileiro”, acabavam descambando para o caminho da marginalidade. Integravam-se à escória dos malandros, gatunos, rufiões, jogadores e prostitutas que gravitavam em torno do cais do porto.
(Brasil : 500 anos de povoamento /IBGE, 5o. capítulo “Sonhos galegos: 500 anos de espanhóis no Brasil” de Lucia Maria Paschoal Guimarães e Ronaldo Vainfas.)

Problematizando:

Observando as situações em que esses imigrantes foram fotografados e lendo o trecho abaixo, analise-os com seus colegas e façam uma relação entre eles.

F21

Problematizando:

  1. Analise o gráfico Imigração no Brasil por nacionalidade com os colegas e conclua:

a) Qual é o país de origem do maior grupo de imigrantes que chegaram ao Brasil nos anos de 1894 a 1903?

b) Qual é o país de origem do menor grupo de imigrantes, de acordo com o gráfico no mesmo período?

c) A imigração dos diferentes grupos aumentou ou diminuiu no Brasil, no período de 1924 a 1933, em comparação com o período anterior?

d) Observe a tabela do crescimento populacional da cidade de São Paulo e compare com o destacado crescimento da população do Brás (bairro industrial na época) relacionando com o ápice da imigração italiana no mesmo período. Pesquise sobre ele e explique essa relação.

F22

Pedro Weeingartner, Chegou tarde! Sec.XIX.Museu Nacional de Belas Artes-RJ,Brasil

As pinturas de época são formas pelas quais os pintores representam, do seu jeito, o mundo em que vivem.

Esta pintura do século XIX, de Pedro Weeingartner, representa uma cena do interior de uma casa de imigrantes.

E Jerônimo abrasileirou-se… a aguardente de cana substituiu o vinho; a farinha de mandioca sucedeu à broa, a carne-seca e o feijão-preto ao bacalhau com batatas e cebolas cozidas; a pimenta-malagueta e a pimenta-de-cheiro invadiram vitoriosamente a sua mesa… a couve à mineira destronou a couve à portuguesa. E desde que o café encheu a casa com o seu aroma quente, Jerônimo principiou a achar graça no cheiro do fumo e não tardou a fumar também com os amigos.
Aluisio de Azevedo. “O Cortiço” (1890) Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000003.pdf. Acessado em 10/06/09

O escritor brasileiro escreveu referindo-se a um imigrante português numa fazenda.

Problematizando:

  1. Analise a pintura de Pedro Weeingartner.

  2. Escreva um comentário sobre a opinião do escritor acerca da adaptação do imigrante aos hábitos alimentares no Brasil.

  3. Desenhe o relato feito no texto.

F23

Sem Ref.

Os imigrantes espanhóis só foram menos numerosos que os portugueses e italianos – entre as décadas de 1870 e 1970, foram mais de 700 mil dos estrangeiros que desembarcaram aqui. Foi a colônia que mais se concentrou no estado de São Paulo e teve como principal ocupação o trabalho nas lavouras de café. Os espanhóis foram ainda os europeus que chegaram com mais crianças e grupos familiares.

F24

Sem Ref.

Os italianos começaram a imigrar em número significativo para o Brasil a partir de 1870. Imigraram mais de 1,5 milhão de italianos. Os primeiros a chegar vinham principalmente do norte da Itália. No século 20, porém, predominaram os imigrantes vindo do centro-sul e do sul do país. São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram os principais destinos. A maior parte dos que se fixaram em São Paulo ganhou subsídios para vir trabalhar em lavouras ou como operários; já os que imigraram para o Rio Grande do Sul foram por conta própria e não ganharam subsídios , tornando-se pequenos agricultores.

F10

Carteira de trabalho de imigrante italiano, 1950.
Memorial do Imigrante.

Após a Abolição da Escravatura (1888), o governo brasileiro incentivou a entrada de imigrantes europeus em nosso território. Com a necessidade de mão-de-obra qualificada, para substituir os escravos, milhares de italianos e alemães chegaram para trabalhar nas fazendas de café do interior de São Paulo, nas indústrias e na zona rural do sul do país.

Problematizando:

  1. Quais as informações que podemos encontrar no documento?

  2. A partir da analise deste documento, o que se pode concluir sobre os sonhos dos imigrantes, da “Terra Prometida”?

  3. Pesquise como era as colônias naquela época, e se atualmente ainda existe colônias de imigrantes.



F11

Casa de Assistência ao Imigrante. Milão, Itália, 1886.
Acervo: Memorial do Imigrante.

Atraídos por uma forte campanha publicitária e por passagens subvencionadas pelo governo brasileiro, milhares de europeus viam aqui uma saída para sua difícil situação econômica, deixando-se cair nas tentadoras promessas de uma vida melhor ao sul do equador.

F12

Navio Cesare Battisti,1922.
Acervo: Memorial do Imigrante

F13

Imagem interna de um navio. Fonte: Servizio Redazionale Corriere della Sera.

Depoimento de um imigrante que veio para o Brasil em 1893:

Como estávamos amontoados naquele navio, meu Deus, quando embarcaram outros passageiros. Naquele bendito vapor éramos mais de duas mil e quinhentas pessoas ocupando a terceira classe, apertados como sardinha em lata. Não compreendia patavina (…) não conseguia compreender como havia tido coragem de lançar-me no meio de tantos desconhecidos (…)”. Citado em Fernando A. Novais (Org). História da vida privada no Brasil, v. 3. São Paulo: Companhia das letras, 1998. p. 240.

Problematizando:

  1. Em que condição esse imigrante fez a viagem?

  2. Na sua opinião, por que ele fez a viagem?

  3. A partir desse depoimento, imagine como foi essa longa viagem.

  4. Depois, elabore uma historia em quadrinhos mostrando a viagem desses imigrantes.

F14

Em 1871, formou-se a Associação Auxiliadora de Colonização de São Paulo, reunindo importantes fazendeiros e contando com o apoio do governo. Quinze anos mais tarde, em 1886, foi criada a Sociedade Protetora da Imigração, responsável direta pelo alojamento, emprego e transporte dos recém-chegados até as zonas cafeeiras – sendo o café, na época, o verdadeiro motor da economia brasileira. Em apenas um ano, esta sociedade promoveu a entrada de mais de 32 mil trabalhadores. Até o ano de 1900, essa cifra ultrapassaria a casa dos 800 mil imigrantes.

Problematizando:

  1. Que situação a imagem mostra?

  2. Você acha que esse tipo de situação permanece nos dias de hoje?

  3. Será que existe ainda uma sociedade que preserva os direitos dos imigrantes?

F15

Vista aérea do bairro do Brás. São Paulo, 1925. S. ref.
Muitos foram para o interior, mas voltaram em seguida, pois o regime imposto pelos fazendeiros era escravocrata. As fábricas juntaram-se ao café e trouxeram um grande desenvolvimento ao bairro. Os italianos começaram a montar pequenas fábricas, e o progresso chegou depressa. Basta ver: em 1886 o Brás tinha 6 mil habitantes, e em sete anos esse número aumentou cinco vezes. Claro, a grande maioria era de italianos – o bairro era uma pequena Itália. Em determinadas ruas a língua mais falada era o italiano. Nessa época aconteceram várias brigas entre brasileiros e italianos, eram rixas nacionalistas.

Problematizando:

  1. Com esse aumento de habitantes, será que mudou alguma coisa?

  2. Esses imigrantes tiveram influencia na nossa cultura enriquecendo-a? Quais são as contribuições deles?

  3. O bairro do Brás continua tendo essa forte influencia dos italianos?

F16 Depoimento de Mathilde Hoster

“Nasci em Duisburg, na Alemanha. Eu tinha doze anos, cinco meses e três dias quando vim para o Brasil. Meu pai trabalhava demais, ele era diretor de banco e… tinha um sonho em mente. Largar a civilização e entrar, depois de uma longa viagem de navio, num país totalmente diferente, estranho, mas muito promissor”.

“A chegada foi a coisa mais linda que eu posso dizer. Era noite de lua cheia, mata fechada, só uma picada… E os irmãos recebendo a família, contando as primeiras aventuras aqui no Brasil. Cada árvore era uma surpresa. Achamos a natureza, apesar do escuro da noite, deslumbrante”.

“No começo não era necessário aprender a língua portuguesa, porque era uma colônia alemã. Todo mundo falava a mesma língua, a nossa língua… Mas na cidade já havia muitos brasileiros. Para falar, conversar e fazer compras era realmente preciso aprender o outro idioma. Começamos também a gostar muito do português. Com ele a gente podia se expressar com mais facilidade, falar também dos sentimentos com mais liberdade”.

“A adaptação aos hábitos alimentares brasileiros era muito difícil para nós. O jantar que um vizinho nosso preparou era delicioso na opinião dele. Para nós era terrível, para o nosso paladar. Era palmito cozido, mandioca cozida e, como sobremesa, mamão”.

“Sessenta anos eu passei aqui nesse país que me acolheu tão bem, foi tão amigo. Quero continuar até o último suspiro”.

(TvCultura.S.ref.http://www.tvcultura.com.br/estudosbrasileiros/entredoismundos/entredoismundos7.htm. Acessado em 05/06/2009

No sistema de colonização desenvolvido na Região Sul, o objetivo era fazer do povoamento e da colonização mecanismos de conquista e de manutenção do território, povoar áreas de florestas próximas a vales e rios.

No depoimento que você acabou de ler Mathilde afirma “No começo não era necessário aprender a língua portuguesa, porque era uma colônia alemã. Todo mundo falava a mesma língua, a nossa língua…”.

Problematizando:

  1. Reflita e responda: Na sua opinião esse sistema de colonização serviu para preservar a cultura do imigrante?

  2. Leia o verso abaixo de uma canção entoada por imigrantes alemães em viagem para o Brasil e encontre no depoimento de Mathilde Hoster a ideia comum aos imigrantes sobre o Brasil: “(…) Partimos com mulher e filharada, Imigrantes para a terra prometida, Ali se encontra ouro como areia, Logo, logo estaremos no Brasil”. (Novais, 1998, p. 218)

  3. Cite as primeiras impressões que esta imigrante teve ao chegar no Brasil.

  4. Enumere as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes no período de adaptação ao novo mundo.


F17 Depoimento de Vittorina Salvi Szili

“Eu deixei na Itália toda a amizade da escola primária, as amigas a quem fazia confidências, os primeiros amores, tudo. Deixei na Itália parentes, deixei o sonho de poder continuar o estudo artístico. Quando você chega num país novo, num mundo novo, porque o Brasil fazia parte do mundo novo, é tudo muito diferente”.

“Começamos a olhar em volta para ver o que podia fazer e começávamos a trabalhar. A gente tinha de trabalhar, porque não se vive de ar, e como sempre com este grande nó na garganta da saudade. A saudade é uma coisa enorme”.

“Eu, sabendo que vinha de um país estrangeiro, tinha de saber esta língua. Então antes de sair, parece incrível, eu comecei a estudar o português. Mesmo assim, como dizem meus filhos, eu falo um português macarrônico”.

“Eu sou italiana, não há nada a fazer…eu quero bem ao Brasil porque, antes de tudo, ele abriu a porta para todo mundo, acolheu todo mundo de braços abertos. Tem gente que deu ao Brasil, tem gente que tirou, o Brasil abriu a porta para todos”.

(TvCultura.S.ref.http://www.tvcultura.com.br/estudosbrasileiros/entredoismundos/entredoismundos7.htm. Acessado em 05/06/2009)

No seu depoimento Vittorina afirma “Começamos a olhar em volta para ver o que podia fazer e começávamos a trabalhar“ . Agora leia o trecho abaixo e discuta com seus colegas sobre o que motivou o sucesso de alguns núcleos de povoamento italiano e se isto tem alguma ligação com a afirmação de Vittorina.

Rio Grande do Sul: o sucesso das colônias aí criadas, foi desigual: houve casos de colônias bem sucedidas, como as que originaram as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias, e exemplos de fracasso, como o de Silveira Martins.

Santa Catarina: os colonos italianos tiveram que se dirigir para as colônias alemães estabelecidas anteriormente, onde foram discriminados e explorados.

Paraná: as colônias próximas a Curitiba foram bem sucedidas, quer porque ali houve como escoar uma produção de alimentos, quer porque foi possível trabalhar na construção de ferrovias (Paranaguá – Curitiba e Curitiba – Ponta Grossa).

Minas Gerais: prosperaram, principalmente, as colônias estabelecidas próximas a cidades e voltadas para fornecimento de trabalhadores para obras públicas. Este foi o caso de Barreiros, Carlos Prates e Américo Werneck, criadas em 1896 nos arrabaldes da nova capital (Belo Horizonte).

Espírito Santo: houve forte presença do imigrante italiano de 1870 até 1920. Na colônia de Demétrio Ribeiro, os lotes foram demarcados em terra fértil e a iniciativa prosperou.

Problematização:

  1. Reflita com seus colegas o que a imigrante italiana quiz dizer com a expressão eu falo um português macarrônico”.

Referências Bibliográficas:

Brasil : 500 anos de povoamento /IBGE.

CAVALCANTI, Pedro. São Paulo: a juventude do centro. São Paulo: Grifo Projetos Históricos e Editorias, 2004.

Terra Paulista. Histórias, Arte, Costumes. Modos de Vida dos Paulistas: Identidades, Famílias e Espaços Domésticos. Imprensa Oficial/ Cenpec: 2008.

http://www.diasmarques.adv.br

http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_286986.shtml

http://www1.ibge.gov.br/brasil500/home.html Acessado em 23/05/2009.


3 Respostas to “A Imigração”

  1. hoje em dia ainda existe um pouco de escravidao mas tenho fe que um dia todos teram direitos iguais,nao importa que seja branco,negro,japoneses,ou qualquer outro tipo de raça,pois somos todos iguais perante a Deus

  2. espero que todos possam ver um dia,que todos somos iguais diante de Deus

  3. Poderia me fornecer um e-mail para entrar em conato com você? Tenho interesse em suas pesquisas para meu Trabalho de Conclusão de Curso. Obrigada!

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